Blog da Liz de Sá Cavalcante

Epitáfio

Meu epitáfio são minhas lágrimas na doçura da vida. A morte pousa no céu. A violência do céu é o amor. Tratar o vazio na exceção da vida. Alma é a fumaça do amor. Enterrar o enterrar com os dentes, é me sentir viva. O epitáfio na palavra de Deus perde a identidade. O epitáfio, a minha luz terminou. Eu sou o começo do fim. Somente resta o vazio inocente de mim. Minha substância é negar ser só em mim. O medo é vontade de viver, me ignorando. Pensar ressoa no nada. Minha alma é blindada de dor, nada suporta. O ideal de ser, teimar em idealizações é sonhar. O mar é uma flor que flutua, navega em céus escuros. Pintar o céu de certezas minhas. Minhas certezas são céu. A incapacidade da dor de sofrer é o meu sofrer. Nadifica-me, mas não posso nadificar minha tristeza. Palavra por palavra, a dor desaparece em ausências próximas, alheias a mim. Se eu pudesse compartilhar meu ser ao menos comigo, eu me levaria a mim.