Blog da Liz de Sá Cavalcante

Vidas paralelas

Não encontro presença em mim, mas no que não existe. A existência é riscar o céu. Tenho mais alma que a alma. O sentir cru, nu é ausência de mim. Sonhos virão como o luar repartido em céu. O vazio, tempo do mundo se redime com flores. Flores são aceitar a vulnerabilidade adequada ao ser. Tudo é ser no vazio, na imensidão do nada. Ser e ser se misturam como se houvesse outro ser além de ser. O ser se multiplica em sonho podando os sonhos, tira sua essência. Como o ser pode ser através de mim? Sonho com almas inexistentes para ser eu. Meu pensar são florestas de um mar subterrâneo onde estão meus sonhos. Sou rainha do mar das minhas entranhas. Navego em mim até morrer. Uma cachoeira do respirar dentro da minha autenticidade. Raízes de solidão, amor do amor, solidão de paz entre a solidão e eu. Falta saudade. Pele, emoção entre a solidão e eu. Há apenas uma lembrança da pele. Amar é uma dificuldade, um defeito de respirar. Ver a realidade como um aspecto, não como realidade. Sugerir um ser pela emoção de ser. Não existe ser. Ser é apenas o que falta, o que é desnecessário para Deus, borbulhas de amor.