Blog da Liz de Sá Cavalcante

Suspender a vida

Eu sou o fim da continuidade do amor. Meu respirar já basta para ser feliz. Interromper a vida para viver é falta de enganos. O feto é como o não nascer de ser, nascer da vida, ser refém de um feto morto que não entra em mim: é o feto da vida. Fecundei mortes irreparáveis, mas a vida não faz parte de mim, da poesia em poesia. Esqueço a vida na dor do feto morto e apenas consisto na minha falta de adeus.