Vivendo, não há fé, realidade, eu. Como ser feliz? Não vivendo. Imaginar ser é mais do que ser. A luz é a morte que apenas o olhar admira. Torcer meu corpo e, espremida, não saio do corpo. A união é o vazio compartilhado. A vida é sempre de morrer, sem perdas. A morte é o fim na eternidade. O fim da eternidade é a presença que fala de amor. Fica comigo, eternidade. Meu amor se conecta com o fim e fico leve como se fosse surgir do nada. Meu lençol de mar é onde durmo e abandono as ausências. É aqui que não despertarei. Sou alma gêmea de mim. Retorno é uma resposta de Deus. Há sempre um estar acordada dentro do dormir, como vela apagada. Eu no nada é a profundeza do insustentável. Morte é a verdade que se cala. Brincar de ser me torna eu. O nada tudo inclui. O que falta na alma é Deus. Chorar por Deus é eternidade. O equilíbrio é amar o vazio em excesso com exclusividade. É ter uma poesia em vez de um coração.
