Blog da Liz de Sá Cavalcante

Morrendo não é crueldade

Morrer não é crueldade se a natureza é sempre morta. Ainda tenho Deus dentro de mim. O que há dentro de mim morreu de encantamento. Sentir o não sentir é aceitar a dor como dádiva, como cura e me render ao flagelo da alma. Vi apenas uma mancha. O céu mesmo não aparece: nódoa de um passado. A água, viva pelo morrer, sede do nada. O amor acordado no infinito. Abraços aperfeiçoam o céu. O céu não pode abraçar sem braços: luz dos meus olhos. Não confio na alma. Às vezes, nem gosto dela. Interagir sem perdas é impossível. Existe apenas a morte.