Demonstro minha alma para o amor. Ele a vê em desaparecer como se fosse um espírito. Traz para perto os mortos da vida. A vida são seus mortos, não os seus vivos. O dia é ausência na permanência. A luz é companhia dos olhos e desolação do amor. Deixo-me na alma apenas para me despedir. Alma não é despedida, é o que faz viver. Não sei se é real a poesia. Sei que algo sai de mim, torna-se palavras onde a vida está em branco, vazia como um anoitecer que não anoitece. Não precisa alma se fazer em mim. Nem eu me faço em mim. Temos um vínculo de separação. Não consegue não me sentir. Por isso, estamos separadas como o céu de Deus. Deus é mais do que céu.
