Blog da Liz de Sá Cavalcante

Chuvas de prata

Entro, sinto meu coração em chuvas de prata. Me dá imunidade tanta chuva, tanto céu, tanto zelo de Deus. Esvoaçam almas. Dispersão do amor que faz eu me dar, dando-me. Sinto-me viva da inocência de Deus. Almas não se perdem como o ser. Morte não é engano, nem é certeza, é a impunidade da dor. Sofrer é crime. Flores não se dão, têm beleza, cheiro não cativa. O fim é o céu? O que é o céu senão um abismo sem flor? Abismo, céu é o mesmo amor, mesmo infinito. Moro dentro de mim, do céu, das estrelas. O exterior não me importa. O céu dança para mim. Perco o chão apenas em ver o céu a dançar. Poderia escutar um alfinete cair. Não me desconcentra, mas percebo. Derreto-me de chuva, perco a vida na chuva intemporal. O respirar suga, respira o nada como pele. Quero tentar ter pele só para eu terminar com a morte. Dei um basta, meu amor.