Que coisa maravilhosa respirar o ar de orvalho numa única poesia. Quando não se tem alegria, tem algo melhor: Deus. Entre coragem e fogo, fico com o fogo. Entre mim, a dor e a alma, fico com a dor. Dor multiplica a terra para os mortos e os vivos. Quando eu terminar em alma, não serei mais incorpórea. O orvalho como poesia ardente por mim. Cada palavra, uma alma. A dependência de ser é como estourar o intestino da vida na frouxidão dos cantos sagrados. Eu emudeci de alma. Tudo flores da morte a latejar em mim. Como cristal, reza forte bastante esse amor para sucumbir. Vai buscar minha alma para mim antes que não dê tempo de acolher que senti um dia: a minha morte, doçura trêmula do amor. Enlouquecer de dor ou fazer a dor enlouquecer? Nada entrego sem uma loucura lavada com meu sangue, nem o meu amor é sem entrega. Prostro-me diante da morte. Desconfio de dormir, de não voltar da morte. Tudo é o azul do céu. Transcender piora a alma. A alma quer ser simples, natural, como uma gota do meu céu. Eu vejo imagens confusas no partir da consciência. Deixar a consciência na imagem é morrer, é hora da esperança, de partir do fundo de um abismo, para surgir desesperada num corpo que não mais me pertence, mas, de toda maneira, esse corpo um dia foi meu. Assim como eu fui minha. A única coisa que não me sufoca é morrer. Vir a mim foi por um sorrir. Filha da esperança e da minha alma. Sou livre, filha do amor. O real é apenas sorrir.
