Blog da Liz de Sá Cavalcante

Depois de amar

Depois de amar a morte, o melhor é me apropriar do fim como uma conquista do amanhã, arranhado do céu. O invólucro do meu corpo é o outro. O que sinto na dor é mais intenso que a alegria. O amanhã do dia é o ser. O amanhecer envelhece o que o tempo não me dá: a maturidade de esquecer a vida na pulsão de vida numa flor que fica em mim, entre tantas flores, me sentir viva, me desvincular um pouco de mim. Sentir a vida que sou em poesias. Não dá para lembrar de tudo, viver tudo. Tenho um olhar que apenas meu. Falo por nada existir. Existência é conseguir morrer na suavidade de uma pluma nua em delírios de viver. Morrer antes de morrer é encarnar o céu em mim, me incorporar de amor.