Blog da Liz de Sá Cavalcante

Escamas

As escamas da morte podem ser a pele que falta em mim. Acredito na fé da morte. Fé é não ver. Conversar é a loucura santa. Escrever, conversar com Deus são ausências verdadeiras sem sentir a ausência. Sou mais ausente que a cruz da morte. Mãos da morte me fazem presente. Toca-me, morte. Sou presença do tempo, sou o amor inabalável como minha voz dentro de mim. Vazia no som que lhe falta. Existem duas solidões: a pele ou a loucura. O que adormece é o amor sem o ser, mas, em mim, vivi o que não se vive. Viver é insistir no céu. O que é deixa-se em lua. Sou tua presença para a vontade de amar. Vontade não se tira, nem se perde. Não se morre em morrer.