O mundo real ganha vida na indiferença. Quem não fala morreu. Até os mortos falam. Abrigar a alma no meu único lugar: a morte é não ter onde ficar. Unir as palavras mais do que falo é solidão. Não me lembro da minha voz. Me apego às palavras para não falar, mas as admiro, quero falar. Não há eficiência na vida ou na morte. Falo na pele. Preciso existir de alguma maneira: mesmo muda, com a transparência de quem fala. Será que vou falar ao menos na morte? Desprezo, doença da alma. Não vou fazer de conta que não existo: existo mais que todos, mesmo muda, inexistente, tentando falar até morrer.
