Blog da Liz de Sá Cavalcante

Desbotando-me

O desbotar é a cor que ganha vida e o esquecer feliz de sobrecarregar o amor de uma alegria doente só. Nada tem a alegria de sentir. O sentir é uma desorganização mental que esfarela a pele para sentir, viver. Sofrer é ser só, mesmo existindo nos outros. Sentir é uma solidão de vida, mesmo sem possibilidade. Arrear a morte, conseguir dizer-lhe adeus. O coração é uma forma de não amar, não sofrer. O ser é o que tenta ser. Arrear a morte no sentimento da vida. Viver, ser feliz é não deixar cair estrelas, absorvida em dor. A odisseia, alma que nem se encosta em mim. Quero só que a alma, intacta, toque as flores, sendo intacta em flores. Não há diferença entre a aparência e o ser. A divisibilidade não se divide em dor: atenta em lágrimas de vida. Estrelas nascem como arrependimento de morrer. O que o pensamento não é eu sou. Comprometo a morte com o morrer. Flores assustam o céu num espírito tão puro de esquecimento, mas, ao vislumbrar flores, ficou dividido entre o fascínio e o esquecimento, onde, dona de mim, eu me libero como alma e deixo falar o amor. Não tem atrativo. O outro será sempre outro e eu sempre em mim. Como se precisar fosse morrer. Morrer tem duas mortes: a que fica e a que parte. A morte estando na morte ou não estando, morri.