Arrancar-me é botar-me em mim este privilégio de não ser. Tudo boto, nada nasce de mim. É um privilégio falar de mim. Continua o meu ser, meu farfalhar não continua. A vida me ajuda a encerrá-la de uma maneira doce, me faz lembrar de mim. Não estou, minha lembrança está. Esvoaça em mim até eu esfarelar a vida com as mãos. Faço tudo para ter a lembrança viva, vencida no meu olhar, no apego à vida, às pessoas. Partir-me sem rasgar-me de saudade. A única luz é o arvoredo, onde nascem as minhas entranhas.
