O significante é a morte. O significado é a vida. O significar é a alma, na despedida do pensar, que age na vida e na morte. Deixa o ser sem reação, sem ação. O olhar reage à vida no amor.
O significante e o significado |
O significante e o significadoO significante é a morte. O significado é a vida. O significar é a alma, na despedida do pensar, que age na vida e na morte. Deixa o ser sem reação, sem ação. O olhar reage à vida no amor. |
Dor escorregadiaO choro torna-se milagre em uma dor de vida. Escrever é me deixar pela vida, a esmorecer pelas emoções. O que sinto não existe. Isso me acalma e me ajuda a viver. Nada sei de mim. O amor tem liberdade no não existir. Viver muito é viver nada. O partir se foi sem partir. Sua partida é o amor. Na morte não há transcendência. A partir do que sou, não tenho mais vida. O que é a vida? Nunca a conheci. A vida é assim, perder a vida no Sol. Fiz do não há um haver. Escrevo sem alma. Não preciso de alma para escrever. Escrever é a vida que necessito. Escrever, vida infinita, que cessa nas palavras que nada precisam significar. Significado eu preciso dar a mim mesma, na vida ou na morte. |
Amor envelhecido de amorA transcendência não é o ser, é o transcender, que adoece o corpo, deixa-o sem matéria, substância. Lágrimas estagnam o transcender em um amor que não vem. Está adormecido, dormente de ser. Não pode me fortalecer, amor, mas posso te fortalecer. O amor é um vício. O amor despreparado não sabe amar, nem pode aprender. O amor existe para quê? A transcendência do ser, sem o ser, é a transcendência do azul do céu. O céu nunca chega ao nível do azul. O azul é mais do que céu. Eu sou mais do que eu. Não canso de olhar o céu do mar do meu amor. Vou morrer no azul sem céu, azul de alma. O amor são momentos felizes, que divergem entre si. E o azul do céu torna tudo feliz. Pareço até ser o azul do céu. Não sinto falta de mim. |
Não sentirA alma entalada no coração sem ausências, o coração fica ausente com a alma. Não sei o que é sentir. Sei apenas o que é sentir ausente do sentir. É como sentir eternamente. Não sei sentir sem ausência. A vida se encarrega do não sentir, se eu precisar sentir. A ausência quer apenas ausência. A ausência de um olhar é a alma, mas a alma, sem um olhar, não é alma. Alma é a visão do mundo sem a alma. Sai alma da minha pele, mas não entra alma na pele. A dor da alma é o nada como ser. O fim não tem essência, tem ser. Às vezes não sinto nem a ausência, para o tempo se desfazer em alma inexistente, presença mais forte que a da alma. A consciência da alma é a falta sendo pela consciência do amor. A consciência é apenas o vulto do ser. A opacidade da vida é a transparência da alma. A vida cessa na consciência, consciente de não ser. Reinvento o nada. A liberdade do outro é a morte na qual reinvento-me eternamente, no amor da liberdade do outro. Liberdade sem vida é mais liberdade ainda. |
IlusãoO nada é ilusão, nadifica o ser, mata-o. O que significa ilusão? Um pedaço da vida que não foi perdida. Ilusão é arte, poesia. Desenho almas no vazio de mim. Penso ser, mesmo sem alma, e meu vazio se torna alma real. Alma é a lembrança da vida. A lembrança não apoia o ser. Se tudo fosse ser, Deus não existiria. A lembrança é a vida do nada. O nada é a imensidão de um mar de estrelas. A plenitude não existe. É a essência de uma coisa inacessível a plenitude. O sonho torna a plenitude real. A inconformidade é um sonho. O sonho das minhas mãos não deixa meu ser dormir. O nada substitui o sono, o ser. O ser e o nada, unidos, são o despertar vazio, como o mar todo em mim. Sem mar, não sei de mim. O nada, sabedoria do mar. O sonho penetra na pele, saindo de dentro da vida para o ser. O sonho é sem imagem, sem palavras, sem atitudes. A imagem do sono é o nada vivo, é a força do nada em mim. Desistir é força. Pele por pele, fico com a força que supera a pele nos poros do nada. Tão artificial respirar quanto a vida. O ar, escuro de emoção, mobiliza a vida. A vida sem mãos não é vida. Pode o corpo ser a falta da vida das minhas mãos. As mãos são uma forma de ter céu. O céu se segura nas minhas mãos e descansa. Flores de angústia sustentam o céu e o salvam do prazer eterno, que não é a morte, é a cura das minhas mãos na poesia, em um prazer comum. Tudo me invade, não fica, torna-se amor. Simbiose de sonhos é o céu. Se o sonho aprendesse a sonhar, seria a morte. Nada se parece, tudo é sonho. Tudo deveria ser vida? O nada é inseparável do nada, confiança sem paz. Os passos da eternidade caminham nos meus sonhos. Não há sonhos sem eternidade. |
MartírioA morte faz eu me aproximar mais ainda da vida. A morte é luz que não se vê. Ver é ser capaz de morrer, esfriar para morrer, para dar calor à vida. |
O amor da vidaA morte é a única angústia que é um ser no amor da vida. Morrer para sentir angústia. Não sou mais um ser: sou angústia pura, apenas. Tudo isso, por isso morri. |
InjustificávelNada se justifica, nem em vida, nem em morte, nem em mim. Tudo se destrói na justificação, como se tudo fosse Sol, amor, nostalgia. O amor não pode ser Sol. Sol é a eternidade do amor. |
O silêncio sem silêncioO silêncio sem silêncio é ingratidão das palavras. As palavras sonham em silêncio o que não consigo sonhar. Tudo se resolve em sonhos. Morri nos meus sonhos, como se eu não me descobrisse só e me descobrisse feliz, inteira como um Sol sem luz. |
A grandiosidade do nadaAdmirar a morte torna o nada passivo, desconfiado. Nadando no meu amor, não me afogo. Não desafogo meu coração. Amo no afogar do destino. Não é desafogo, é meu corpo como destino. O amor cessa o destino, torna-o admirável de ausência. Não tenho destino, tenho ausências de amor. Ausência é viver intensamente de amor. Amor é agonia. É tanto amor a amar, que não dá tempo. Viver elimina o amor distante do tempo. Nada se pode fazer sem amor. Vida e morte são almas gêmeas que se confundem de amor. Não existe consciência, existe relação que se relaciona sem consciência. A consciência é amor, amor que existe até na inconsciência de morrer. Morrer não é a morte. |