O amor é todo dia, até em perdê-lo. Vivenciar o amor é ter um corpo sem amor, onde a alma não cabe, dentro do meu corpo. O corpo é o fim do amor.
O amor é todo dia |
O amor é todo diaO amor é todo dia, até em perdê-lo. Vivenciar o amor é ter um corpo sem amor, onde a alma não cabe, dentro do meu corpo. O corpo é o fim do amor. |
O fim distante é a alma da almaO fim perto do fim é sem alma. O nada é a perda do fim, amando o fim, pois já se foi. Sinto-me melhor na morte, até parar de me sentir, e sentir apenas o fim. |
AmorA eternidade apenas no meu corpo não me deixa morrer. A imobilidade do meu corpo é minha vida. Sinto o meu corpo, mesmo imóvel. Sua dança imóvel é sua morte, seu mar, seu infinito. O infinito traz meu corpo para mim. Em mim, o infinito move o corpo, até senti-lo como corpo, não como nada. |
Na pele de DeusA pele de Deus se acostuma à pele do ser. Tudo na minha pele é Deus sem pele. Eu imagino, sonho com Deus com pele, para suportar a minha pele. |
Vamos seguir adiante no amorSem amor, tudo é descaminho, perdição, morte. Sem amor, a perdição se perde na minha pele. A pele nada diz, além de sofrer, fala mais que o Universo, em sofrer. A lei da vida é o amor. O amor é Deus em vida, em morte. O ser está marcado em Deus. A existência não é Deus, não é ser. A existência é o semblante do nada, sem o nada. O que o tempo vive, nem Deus vive. A vida é longa no tempo e é curta em si mesma. |
IntolerávelPara ter consciência, tenho que me ressuscitar no não vivido, assim esqueço o passado, pensando em mim, não no não vivido. Eu refiz o não vivido, mesmo que não lhe possa dar amor. O refiz com o meu esquecimento e mesmo não sendo vivido, fez-me viver enquanto eu necessitei. Não necessito mais, necessito ser amada. |
O sonho do talvezO corpo é a perda de Deus, da vida, da transcendência, do céu, em um corpo estranho, é apenas silêncio. O corpo de palavras é a alma. Escrevo no meu corpo a alma, e o que se foi sem alma também é alma, por isso tudo é solidão, onde até o talvez é sonho. A realidade é o negativo de amor. O que falta na alma é pele, mas a pele é incompatível à alma. A pele costura a alma por dentro. A alma, por dentro, está descosturada, e se sente melhor descosturada. O tempo é um estado de espírito. Espírito é apenas sentir o adeus. Mesmo sem saber do adeus, sei do espírito. Espírito às vezes é o nada sem adeus. É quando o perdi. Apenas o espírito cessa o espírito, o amor. O espírito é amor na inacessibilidade de ser. Sonhar no arrepender-se de sonhar é viver. Faço tudo na angústia. Amo, luto pela vida. Escrevo. Sou feliz, sou útil na angústia. A angústia não me atrapalha, e sim me ajuda. A lembrança destrói a vida. Sou uma lembrança de ilusão nunca perdida. Sem ilusão, o espírito suspira poesia. O espírito nunca será poesia, pois são minhas mãos segurando a mão de Deus. |
Vivendo por mimO nada vive por mim, sem ser um ser. O nada sobrevive ao tudo. O nada se faz na pele para existir pele. É fácil sentir o nada, basta ser. Ser para o nada, sem ser para mim, é tornar a ausência indefinida. Apenas o sonho é seu significar, mas, mesmo assim, a ausência continua indefinida. O nada cessa a alma como um sonho. Escapar de um corpo sem alma é ser eu sem o vazio. O infinito é vazio no meu ser. |
A liberdade da liberdade é a morte sem amorO eu depende de mim na morte. A morte me escolheu para ser sua intensidade, pela liberdade dos meus sonhos, mas não sonho livre. |
Identifico-me com a morteIdentifico-me com a morte, pois nossas almas são parecidas, mas ninguém vê. Falta Deus na alma, no refletir da alma, do nada sem o nada. O nada na alma é o ouvir. Abraço a morte em não abraçar, para a morte viver da vida, crescer na morte. A ausência do meu corpo é outro corpo, que não ensina meu corpo a ser presença e tem a presença da falta da união dos dois corpos. Vários ou um corpo são a morte do ser. O ser é a falta de Deus no ser. O ser é Deus em sonhos. Não posso ter simbiose, ser íntima de Deus, mas posso ter Deus em uma saudade sempre viva. A vida se escolhe em almas. O não viver a consciência é chorar alma. Deixar de viver pela consciência é o ser do ser. A insatisfação da consciência é o ser. O sonho é o cansaço interior. A realidade não me deixa cansada. O sonho atropela o amor. Nada sentir é interiorizar a vida no céu do meu amor. A morte é o exterior do amor. Nunca mais, pois tudo importa, até mesmo o nunca mais. O nunca mais é o valor da vida, seu único valor. O nunca mais é amor pela vida, é a vida. Deixo-me fora da esperança de vida. A vida é essa esperança. O não da vida, sem negatividade, é a morte. A morte para a morte sou eu a escrever com as mãos de Deus. |