Deformar o nada na minha febre de existir com uma estrela a cair do céu. Sem a morte incorporaria tanto o espírito, que meu amor cessaria. Sem a morte o espírito não sobrevive, mas a sobrevivência é o espírito.
O nada deformado |
O nada deformadoDeformar o nada na minha febre de existir com uma estrela a cair do céu. Sem a morte incorporaria tanto o espírito, que meu amor cessaria. Sem a morte o espírito não sobrevive, mas a sobrevivência é o espírito. |
Nasce o nascerNasce o nascer do nascer com a suavidade da ausência do corpo. O sol é um corpo imortal. Só há um corpo, mas o amanhecer morre no nascer do nascer, que é o espírito, que respira como eu, tem o meu sono como sua alma, por isso não posso dormir, posso apenas me ausentar de mim. A ausência refaz o corpo no espírito. Há espíritos sem almas a vagar perdidos em silêncios profundos, como a noite, como o céu, a fazer pensamentos, onde enfim consigo dormir. |
A morte da morteA morte morre sem estar dentro do ser, pra morrer dentro do ser tem que ser o ser quando a morte morre, nada se ilumina. Há um querer que não é morte, é adeus! |
A intimidade da alma sem amorO que não é eterno na eternidade se faz amor. Acolher o amor é abandoná-lo só. Não posso abandonar o amor no pensamento. A intimidade da alma sem amor é a profundidade do amor. A imagem é falta de consciência de um olhar de uma vida. Se sei o que é conhecer, de que adianta a vida mesmo depois de viver? Estou agora sendo a vida da poesia, onde sou feliz, como se a vida começasse agora e eu pudesse ser um recomeço sem começo. A poesia não é o começo de nada, é ser submissa à falta de mim. O começo de mim era para ser tua alma. Na ilusão de existir alguém, durmo nas palavras, acordo sem palavras, como se a noite fosse o meu amor. |
O mistério do corpo é a almaA alma estagna num pedaço de mim, pode ser meu corpo ou apenas morrer. Há pedaços do corpo sem morte, é a alma. Quero a alma sem recomeços. Não quero nada no céu, cresci sem céu, na janela do saber. Saber pode ser o sonho. |
Rompimento de estrelasAs estrelas romperam com minha alma e com minha solidão. Sossega, alma, que sou apenas um rompimento de estrelas. Não te pertenço. Vou desaparecer como uma estrela que se adaptou ao mundo, não a mim. Perco as estrelas, mas não perco minha esperança. |
O nada sendo tudoA relação é o nada, mas o nada é tudo sem se relacionar. Meu amor é minha ausência, ausência que é feliz sem ser um sonho. De que adianta sonhar com a ausência se ela não vem me sentir? O amor não é espírito é o nada sendo tudo. Nada importa ao tudo que nada tem. Eu queria ser o espírito de todos os espíritos. Nada se fez só no espírito. A vontade de ter uma alma é mais do que a alma. O fim da tristeza é o espírito não ter asas. O que não é verdade é o espírito precisar de asas para ser livre. Ninguém pode amar a eternidade, ela é a falta de amor. Nada será como antes, onde o céu era o céu da minha tristeza. O céu fez que eu não reconheça mais tristeza. |
Alegria pesaA alma é o lado obscuro do ser, onde a alegria não pesa. Morri para ver as coisas por dentro de mim. O nada não modifica o amor, modifica a vida. A vida é vazia no meu amor, sem a presença do nada, como uma distância, que de longe foi percorrida, como se soubesse qual o nada da minha vida. A distância destrói a inacessibilidade do nada. O caos é algo que foi cicatrizado, deixando marcas. A ausência pesa sem a lembrança de não te ter. |
O amanhecer de estrelasDeixo meu corpo amanhecer de estrelas, distante do sol, perto do céu. O amanhecer de estrelas é a falta que sinto de mim. Nada me surpreende nas estrelas. A previsibilidade das estrelas é sem céu. Amanheci por mim. Não há espera no adeus. O adeus não é livre das estrelas. Tem adeus para todos, mas não tem estrelas para todos. Repartindo as estrelas em mim, me sinto o céu. Eu sou cada estrela do céu sem lembrar de mim. As estrelas não precisam ser uma lembrança: elas existem de verdade, como se eu pudesse segurar minhas lágrimas como seguro uma estrela. Enfim, só. Enfim, estrela. |
Do eterno no nadaCorrendo do eterno ao nada, meu coração salta de eternidade em eternidade, onde a morte são os braços da vida, amparando o mar no mar. A imensidão do infinito é a morte. Meu ser procura o meu amor no nada, mas o amor do eterno do nada acaba com a sombra do meu amor. Me sinto sem amor. O amor reage ao tempo da alma, que é ser só, onde se esmaga minha força. Corri como se o infinito fosse correr da morte, em sintonia. Respirar e infinito me fizeram parar, pois ainda não morri. Mas do eterno ao nada tudo desaparece. Para que correr? Para não me assustar, onde o eterno não vai até o nada, me deixando a saudade de mim na minha chegada. |