Quem tem amor não tem adeus. Morre como um cimento que precisa ter no chão. Vai se acabando o amor, fica o vazio da vida a estremecer a minha morte, a me degradar até minha morte.
Quem tem amor? |
Quem tem amor?Quem tem amor não tem adeus. Morre como um cimento que precisa ter no chão. Vai se acabando o amor, fica o vazio da vida a estremecer a minha morte, a me degradar até minha morte. |
SúplicaMe sinto melhor se morrer, mas Deus é surdo, não escuta a minha súplica. Meu erro foi amar demais, como um sol que não acende a luz. Ser amparada pela morte é mais que ser feliz. A súplica vira adeus e se torna esquecimento. É como se minha alma tivesse partido sem mim. |
A tristeza é a minha eternidadeQuero ter em mim a alma de todos os que amam, assim tudo vive de amor. O sonho eterno é nunca abrir os olhos na alma, o vazio diz apenas adeus em um sonho que ninguém pode me dar. É um adeus em um sonho que ninguém pode me dar. |
O nada do nadaMeus olhos nos olhos do nada me fazem viver como uma chuva de sol. O sol e os olhos do nada a definir a vida como querem, não como a vida tem de ser. O sofrer é o tempo de não ver a mim mesma. Ver a mim mesma nos olhos da morte e me identificar com perdas que penso serem da minha morte. Queria parar de sonhar que não existo. Por isso, meu passado não existe. O próprio sonho acabou com o sonho, como se a poeira fosse vento. Apenas a morte pode abençoar minha alma na retidão de sofrer, como uma voz inexistente que se escuta além da alma, no fundo do poço de um espírito sem palavras. O silêncio murmura o nada e, assim, na escuridão, vi a morte da morte em mim. E me senti alguém para mim, não era eu, era apenas morte. |
Viva por mimSolidão, viva por mim. Meu corpo, meu ar, minha alma. Meu ar não se aflige nem com minha morte. O ser não é em si mesmo; por isso, morre. Morrer vem da ilusão de viver: vale mais que a vida. Por isso, solidão viva por mim. |
PresençaMorta, não posso ser ausente: |
Dores que consolamVivo pelas faltas, não há como ignorar as faltas, são a vida. Me surpreende mais sem morrer. O amor é um precipício no fim do mar. Isto é o fim da saudade eterna. A angústia é uma saudade morta. A eternidade não tem amor. O que tem de eterno na eternidade é o ser. A alma não é eterna, é uma saudade que não existe. O amanhã é incompleto sem o ser. O medo da solidão não me deixa só. O que se consome na perda, mesmo sem alma, sem espírito. É o meu respirar a cantar. No melhor de mim, que é mais do que alma, espírito, sou eu. A alma limpa o tempo das impurezas do tempo. Sopra o ar, como se o céu fosse seu. O céu é matéria do corpo. A falta de ar é o ar da alma. Dores se consolam. Por isso, apenas sonho. |
A eternidade do fimA eternidade do fim desaparece na solidão de uma estrela. |
SolidãoSe sou minha morte, não posso ser minha transcendência, |
DistânciaA vida está distante, perto do meu amor. |