Blog da Liz de Sá Cavalcante

O silêncio sem flores

Tudo em flores. As flores não impedem o silêncio sem flores. O sonho sonha só, como o sol a se pôr. Sonhos florescem mais do que flores. O sol das flores são mãos que me devolvem a vida sem me tocar. Tocar sem mãos é eternidade que dura. Sonhar me esvazia. O sonhar da vida é minha tristeza. A triste presença é o falar da alma. O ventre da alma é infértil. A consciência torna a morte superficial. O ser é a profundidade da morte. Sem morte não há vida. A morte em espírito faz renascer o corpo sem alma: o corpo eternizado. O tremor é ausência do corpo na alma. E, assim, nasce a voz ausente, como uma certeza sem amanhã.

Situações de sentimentos

Como não se lê, se toda leitura é alma? Meu sentir é a saudade de não amar escutando o vento estralando em mim. Até quebrar os ossos da vida, num sol, num dia perfeito. Dos ossos da vida se fez o céu, sem tempo para sofrer. O sentir do céu é sem ser. Sem o ser, o céu é eterno. Flutua na eternidade da falta de ser. Olhos abertos como sombra do ser. Tudo suponho sem alma. A alma é a eternidade solitária, onde cesso meus olhos sem sombra, sem adeus, para perder a superfície e ser a profundidade da vida. Uma profundidade cega: nunca sei o que conquisto. Ao sentir o sol do amanhecer, sem vê-lo, sei tudo que conquistei e, se não conquistar mais nada, tenho o não ver como companhia, como o meu fim. Não descansei no que não vi, não importa mais: morri!

Amor se sacrifica em alma

O ser do desconhecido é a alma. Não há realidade na realidade. A realidade é o ser. Meu ser se entrega a seres invisíveis, inexistentes: assim, o meu ser existe para mim. Resta em mim a vida que não tive. Amor sem piedade é morte. Ver a alma é como viver.

Desapego da alma

Acima de Deus, o nada: domina a vida, o amor. Transforma a morte também em nada. O desapego da alma transforma o nada em vida. A vida me emprestou sua alma para escrever, para ser eternamente nada, na minha alma, no meu amor.

Amadurecimento

Persegui a alma por dentro de mim, para ela me dar a vida que não tenho. Onde há alma há vida. O ser é relativo a si, à vida. Vida são renúncias. Perder é amadurecer. Queria que meu coração parasse de bater apenas por amor. Amadurecer é deixar a vida para depois. Depois quando? Não sei. Falar é o adeus da alma. Durmo no partir da alma, com o ficar sem a eternidade.

A morte da morte

Não é o que sei que importa, o que importa é o morrer. O silêncio é o corpo da morte no meu corpo. Quem quer o céu no céu? O silêncio no vazio é sem céu. Nada da ausência é morrer. A morte da morte é o céu na existência do amor, e o sofrer.

Entender a alma

Me ver na alma é a impercepção da vida na alma. Minhas palavras passam pela morte do corpo para ir até a alma: foi assim que perdi a alma e senti que a tive um dia.

Vida única

Fazer o que de uma vida única? A paciência é uma vida única, onde o amor prevalece. O olhar são várias vidas dentro de mim, no amor que sinto. Separar o amor do olhar transforma a vida numa única vida. Me divirto com meu olhar, com sua complexidade. A alma sofre no meu olhar. O olhar é vida, ver é vida. O olhar é a única realidade. O desaparecer é a vida, é viver no desaparecer.

O começo da alma

A vida existe no começo da alma, na minha inexistência, maior, mais significativa do que a vida. É na inexistência que criei meu infinito particular, minha vida, meu mundo. Sou feliz na minha inexistência. Isso é tudo. Isso sou eu.

A oportunidade de despedida

O nada é a oportunidade de despedida. Vou fazer a minha alma viver das minhas poesias, como mais uma palavra. Palavra essencial para a vida: amor! A espera de mim é realidade.