A eternidade é uma sensibilidade sem razão, sem argumento, sem proteção para viver: sem viver. Viver não é eternidade. Por isso sonho com a eternidade. Renovada para morrer ao pensar eternamente no fim.
A razão da sensibilidade |
A razão da sensibilidadeA eternidade é uma sensibilidade sem razão, sem argumento, sem proteção para viver: sem viver. Viver não é eternidade. Por isso sonho com a eternidade. Renovada para morrer ao pensar eternamente no fim. |
A proximidade sem a morteA proximidade sem a morte, não existe. O ser não tem relação nenhuma com a morte e morre. A espera é uma morte silenciosa. Até onde vai a morte? Até a espera de mim? E se eu nunca chegar a mim, vou morrer? O que é morrer? É a falta de amor que tenho pela morte: faz ela existir. |
VivênciasSão vivências tenho a morte em mim, não se afaste: tenho vida também dentro de mim. A vida me ensina a ser eu, a morte também. Se deixei de ser, ainda sou. As pessoas partem, não são minhas, nem delas mesmas: essa é a beleza da vida. Vidas permanecem no amor, que também não é eterno: é apenas sonho. Fecho os olhos, o sonho desaparece. Nada mais é sonho. Mesmo assim, o sonho existe inconsciente de mim, imune a existência, como se a única vida fosse me abraçar sem o meu abraço infinito, sabendo que este é seu único abraço e foi dado a mim. Sofrer é uma morte civilizada. Não quero a morte dos sonhos e sim a morte real. Sonhar é falta de morrer. Ter sonhos é morrer. Para que sonhos? |
Afeição da vida com o nadaSempre que minha imagem diminui na consciência, me vejo sem espelhos, sem subterfúgio. Não suporto ver. Nasci para não ver. Ser cega até no meu sentir. Tudo em mim é verdadeiro: não posso sentir. É por você que vivo, minha tristeza: para ser triste como você. A afeição da vida com o nada me deixa triste. A alegria me deixa triste. Tristeza tem fim, se há alegria. Como me permitir ser feliz? Não sei sendo? Não é tão simples. Há alegrias que me impedem de viver. A alegria compreende minha tristeza. A tristeza me tira a alma. Alma é todo dia, a vida é o fim dos dias e o começo de mim. Nada me assusta tanto quanto a profundidade da alma. Nem a morte me assusta como a alma me assusta. Pedaços de nada são o meu amor. As faltas são o amor sem o nada de amar. |
SubjetividadeEu sou de alma: sem a subjetividade do ser, na concretude do céu. A subjetividade de morrer, poderia ser o céu, com seu amor incondicional: tornou-se esquecimento. O esquecer do céu são estrelas. Ler é a essência em vida. O ser transcende apenas na morte. A morte em vida é subjetividade do ser, sem o não ser. A morte cansa, exaure, enjoa. É quando me lembro de viver, ser feliz. O céu me abandona, não percebo, só consigo ver a vida que ainda posso viver. Meu amor é a eternidade da vida sem céu, onde meu ser é subjetivo a si mesmo. |
O nada não retorna ao nadaO nada não retorna ao nada, é subjetividade do ser. O tempo se esclarece no nada. O tempo do meu olhar não merece a eternidade: vê coisas tristes, medonhas, na minha solidão. Preferia não ver. Mas sonho palavras, preciso lhes dar vida, mesmo que com isso eu morra. |
Renovando-meO sentido do nada é a vida. Não há vida no nada, nem sem o nada. Eu confio apenas no nada da minha morte. Há lembranças que nada significam, mas não são o nada: são o que precisam ser na minha vida. Vida, é um sol vazio, numa estrela inexistente, que brilha mais do que o céu. O céu é de verdade no meu amor. Sem o céu, não há infinito. O infinito não respira, não se altera com a vida, apenas permanece esperando que a vida se lembre dele. O ser não é vivido em seu amor, tudo é desconhecido, sem dor, por isso não temo o nada. O nada é sinceridade do ser. O tempo é o amor do ser. Mas o ser não sabe que o ama. O corpo é incompleto na alma, como o mar que retorna às ondas para dar conta do rio da felicidade. Nada posso oferecer em troca de ser feliz. É como se nada me restasse por ser feliz. Assim, me renovo. |
Reacender (reanimar)A vida é diferente de ser. Ao soletrar a vida, perco as palavras. Não quero a alma para viver, quero para chorar. A alma é sombra da sombra. Nada pode tornar a vida vida. Sinto a morte na pele, não na alma. A morte me diz mais do que a alma, então ela me silencia em sua fala, sem um suspiro, um adeus. Prefiro que ela me deixe em sua fala, onde não tenho que escutar a vida, o meu silêncio. O silêncio não me faz ter alma: não me faz ser eu. Eu sou o silêncio do silêncio: na voz, em todas as palavras. Reacender o silêncio na alma, quem sabe assim me animo também? Encontrei o inencontrável do meu ser. O nada nasce do ser. Nascer é adeus à alma. Nascer é incorporar o nada de mim, sem a vida. Fiquei só na alma. Alma para que me escutou sem o nada? A escuta, estagna a alma. A alma estagna no silêncio profundo, sem a profundidade do silêncio. O silêncio não ama: mas se deixa amar. Não ter alma é tolerar o amor. Reacendo a morte no meu amor, por culpa de não morrer. Não morrer é não ter alma. Fiz do amor uma oração para fugir do mundo. |
O interior do interiorA pele em que eu habito não é minha pele, é o nada sem pele, é o interior do interior. |
Falar com a pele a desaguar no meu corpo (esvaziar)A plenitude esvazia sem o nada. O nada é não me isolar em mim. Tenho pele ao menos para conviver com o meu silêncio: ele é pura pele. |