Vou me acostumar com o tempo de existir, mesmo que ele seja distante da minha realidade, de mim. Apenas o silêncio. Me escuto nesse silêncio. Se ninguém sonhar, o sonho se completa só, preenchido como uma vertigem, exposta ao ventre do nada. Nasci sem o teu ventre, sem o teu amor, sem o teu nascer. A vida ilumina todas as vidas, deixando a escuridão ser a morte dos caminhos, que não tiveram sorte de ficar em minha vida. Eu somente pude escolher um caminho: a solidão. Não há solidão maior do que uma escolha: escolhi ser só. A alma não me mantém viva, nem minha alma é minha solidão, nem o vazio é minha solidão. A solidão é o nada. O nada é único sopro de vida, a acalentar minha morte. A vida não corresponde ao meu amor, como um princípio sem fim.
Com o tempo, meu ser existirá |
