O outro é minha ausência na presença do outro. A eternidade é fuga da ausência, onde o meu ser parece ausente na minha eternidade. A ausência é a eternidade, que tenta fugir me abraçando.
O outro é minha ausência |
O outro é minha ausênciaO outro é minha ausência na presença do outro. A eternidade é fuga da ausência, onde o meu ser parece ausente na minha eternidade. A ausência é a eternidade, que tenta fugir me abraçando. |
Sonhos de ausênciaNão posso fazer das coisas que existem o que amo. Meu amor está muito além de existir, e fazer tudo existir. A existência e o fim do amor transformam a vida em algo mais especial do que viver: suspirar pela vida. É melhor sonhar com a vida do que vivê-la. Viver é diferente de ser. Essa diferença entre ser e viver me faz viver sem a vida. Eu posso viver sem a vida, esquecendo de sonhar, somente assim alcanço minha morte, minha alma, mesmo sendo algo sombrio. É maravilhoso amar. Jamais terei o céu, nem mesmo em sonhos. O céu não é sonhável, mesmo com estrelas. O céu é o espírito da alma. Pensar foi meu melhor sonho, por isso era melhor não ter pensado, como se pensar fosse apenas sonho. Pensar é existir, quando nada mais existe. Eu fiz do pensar minha ausência eterna, como a ausência de te ter. A eternidade de cada estrela é sorrir sem sonhar. |
Solidão de amorO silêncio isola a mim da vida, mas não isola o meu amor de mim. O vazio é uma liberdade de amor. Para o corpo, todo o meu amor, sem alma, corpo, pela eternidade do corpo, de ser só para um corpo, não o sinto nem pela solidão. A vida, dentro da vida, não é mais vida, é apenas solidão de amor: a eternidade. Na eternidade, o amor é tão só, que não é mais amor. O amor precisa do fim para ser, para respirar, para ser livre. Não aceito o fim. Mas, nem a vida me amará eternamente, mas basta ela me sorrir, é como se ela me amasse para sempre. A presença da vida sou eu, sou eu que não posso faltar à vida. A alma não sofre o amor, vive o amor, como promessa de depois. O amor não precisa ser triste. O fim do amor também é o amor. Minha alma é o corpo do outro, por nunca me ver. |
O nada do nadaO nada dá vida ao sol, razão de sua existência, do calor humano, do amor, que não se conta no nada, mas se fala no nada. O nada é o lado bom da vida, onde a falta do amanhecer é o sol. Estou com o rosto do nada, e o nada não pode ter o meu rosto, não enquanto o sol me iluminar. O ser se relaciona com o nada, que pensa se relacionar noutro alguém. O nada é esse alguém que preciso ter. Nada flui, apenas o nada por sentir flui. O nada é a diferença do próprio nada. Se não acredito no nada, não há o que acreditar. Acreditar é apenas sorrir sem o sol, sorrir como o nada. Acreditar no nada me faz sofrer como o nada. É um sofrer verdadeiro, absoluto como o céu, que é o nada do que vejo, mas não é o nada do meu amor. Ver o nada e amá-lo é tão perfeito. Sou feliz no nada, não pelo nada. |
Como não ser o outro?Como não ser o outro, se sou mais o outro do que eu? Nada vai mudar isso. Sinto a alma do outro como minha, a alma não é de ninguém. A alma é vista como ser, mas o ser não é visto como alma. O ser, individualidade da alma, no universal do nada. A morte tem uma alma rara, intocável. Ao tocar a alma, minha inexistência é tocada pela ausência de alma. Perco minhas mãos ao tocar mãos que fazem viver, depois esquecem, como se houvesse mãos. Antes de perdê-las, tocar o outro em mim mesma, como uma maneira de amar. Reconheci a alma pela falta de caminhos. Tentei ir longe, fui apenas até a alma. |
O conhecimento da vida não é o mesmo que viverA inexistência do nada é todo o existir. Existir é apenas a ausência do nada. A alma é conhecida apenas como amor, o desconhecer da alma é o sublime do amor. Tornando o real ficção, falta ao real a ficção da morte, que eu causei. A alma é uma morte perdida, dentro do meu ser. Ser para a morte é negar morrer. Morri pra negar morrer? O que pode me faltar em morrer? Que eu sinta esperança até em morrer, como uma estrela que cai do céu em minhas mãos. A esperança não está nessa estrela, está em mim. Posso ser essa estrela, na minha esperança de voltar a mim, onde a alegria me desperta, para um novo eu, na alegria de cada estrela do céu, fui feliz. Depois da vida, mais vida, onde não há ilusão de sofrer, somente há essa alegria, é como olhar o mar, ver toda a vida no mar, num mergulho de saudade sem fim. Onde o infinito é a minha determinação de viver. |
O fim de morrerNunca está só o fim do morrer. O fim do morrer não é viver. A morte não consegue ser a morte, nem consegue ser o seu fim. A morte protege minha pele do adeus. Vivo pela minha pele, elas são minhas lágrimas, minhas mortes, razão do meu ser. O tempo do fim é o meu amor, num suspirar eterno, que pousa no sol, na esperança de encontrá-la, alegria, mas o inencontrável do meu ser a encontrou, estava perdida em seus sonhos, mas quando me fez feliz, deixei os meus pensamentos serem você, alegria, pois penso por ser feliz. Mas a morte é mais feliz do que eu: ela é plena, sem nunca pensar. Me acostumei a morrer emocionalmente, preciso de vida, para sofrer ou morrer. Não descansarei em paz, descobri que tenho tanto amor, que somente pode significar viver. |
A alma sem almaA alma sem alma é a vontade de Deus. Não há alma sem alma, há a presença de Deus. O sentimento foi o pior momento da minha vida. O sentimento é a minha inexistência. O céu, sentimento do mundo, é meu único sentir agora. Estou recuperando o céu pelo mundo. Me desligar do mundo não é amor à alma. A sinceridade da alma é o ser. Tudo vem com o tempo, menos a alma. Estou arrasada por sentir a vida, mas a amo, a ponto de me colocar em suas mãos. Olho para o sol, sinto nada, inerte. Me faz ao menos me sentir; se não te sinto, vida, não é essencial te sentir. Tu sabes, vida, que somente me sentirei sem ti. Meu sentir pela vida seria o seu fim. Mas, o fim da vida não se parece com a vida. A vida é a perda do mundo, do fim. Mas, o fim continua a existir sem a vida. A vida é o fim sem o fim. Na morte, sou livre para sonhar comigo. Sonho comigo sem me sentir. Talvez, sentir cesse o sonho, e eu tenha que voltar a mim, perdida, sem morte, ou dor. Não sei o que fazer de mim, não posso mais fugir de mim, da minha morte, minha dor. Tenho que ser alguma coisa, nem que seja o meu fim. Pelo meu fim, sou o que quiser, que eu seja vida. Cansei de lutar, até mesmo pelo fim. Desabei no abismo do nada, ao menos consegui chorar em mim o fim de morrer. |
É pior não ser ainda ou é pior não ser mais?A solidão, ao menos, tem o amor. E eu, que não tenho? Não ser só é não ter o amor o tendo, sendo o amor vertigem do nada. Ser é tornar o nada um nada. Não ser ainda e não ser mais me tornam um eu em mim. Quando não houver ser para o não ser ainda, é onde nasce o não ser mais, para o não ser ainda. A morte me protege do frio de ser. Mas nada é tão frio, formal, quanto o viver. Viver é o calor da alma, esfria o ser. O tempo é a sombra, do calor e do frio. Isolar o tempo num amor sem fim é esquecer de mim. A alma não me deixa lembrar de mim, para me lembrar do próximo, da vida sem mim. Não me abandone pela minha alma, nem perceberia, me abandone por mim. |
Anterior à almaO anterior à alma não é o ser, é o passado, que surge na invisibilidade como visibilidade do nada. Antes da alma, era tudo; depois da alma, é o nada, que me isola, como se fosse tudo. Permanecer sem alma é fazer da eternidade minha morte. A alma quando aparece antes dela mesma é quando sei que posso permanecer no anterior do meu eu, permanecer é ficar distante. Antes eu tinha uma alma, agora tenho vida, como sendo minha eternidade. A eternidade que fica é a mesma que se vai, carne da minha carne, sangue do meu sangue. Quero amar o que tu amas, eternidade, sermos felizes pelo mesmo amor. O amor não é capaz de mudar pela eternidade, mas a eternidade é capaz de mudar pelo amor! |