Se compreende a ausência no luto da presença. Esta é a segurança de viver. Vida é o que não perdi por ser ausente. A ausência é feliz. Dedos falham em escrever, esquecer lentamente o não viver. Aperfeiçoar-me de amor. Me alimento de sonhos. A vida torna o imaginário vivo, como se tudo pudesse perder. As perdas são almas que não se dividem. O que dura no sol é amor. Me divido até no pensamento distante, alheio a mim. Dividir é o mesmo que se dar a alguém? O que floresce dentro de mim foi você não me deixar nascer. Sonhos têm a sabedoria do céu. Eu reinvento a poesia, crio-a, recrio com o mesmo amor. Sonhos não competem com o amor. Nem o amor com os nossos sonhos são a mesma coisa. O amor pelos mortos é minha transcendência, meu respirar, mas não é minha vida. O que morre fica. Eu morri, sou esse ficar. O que morre dura sem eternidade.
