Blog da Liz de Sá Cavalcante

Encurtamento

Não entrar dentro da estreita vida é amar o encurtamento do respirar como ausência feliz. Canto pelos pássaros. Não que não possam voar no seu silêncio. Os pássaros deveriam cantar, espelhando o céu. O céu a nada pertence, é uma alma perdida. A alma, o céu, chega ao pensar como fim. O fim não basta ao céu, à alma. O fim do céu é Deus. Deus tem que se aproximar da vida no seu sempre, que também acaba em Deus. Deus não é todos os seres, todas as coisas. Deus é Deus até do outro lado de Deus. Céu enigmático. Cada um tem seu céu. O eterno é falta do meu amor. O fim, num silêncio infinito, é como ser usado no amor. O amor sobrevive ao não sofrer. Tudo tem uma memória: a do objeto. O ser não tem o que lembrar. Algo me consome mais do que a alma, me detém, deixa minha alma no fúnebre. Feche-me em facas para que eu seja meu interior, esquecimento eterno do que está por vir: morte, lembrança viva é mais do que a lógica é erro. Amar em ser apenas eu? Vista-me de ti. Abranger o vazio e sentir paz. O vazio suga a pele em me furar por dentro. Não tenho palavras para minha dor. Não sei como eu consigo tê-la. Espelhos são vidas que se despedaçam com minha dor. A minha imagem é de morrer. Ninguém me vê. O que sinto me faz desaparecer sem um último olhar. Eu desapareço sem ausência na reparação do nada que determina rosas dentro de mim. Amei demais até em morrer. Morrer é dar nome às coisas, é a realidade, plenitude. Aceitar a morte como uma alma a mais no amor de alguém.