Blog da Liz de Sá Cavalcante

A vida sem a eternidade

Sem eternidade, o céu é mais pleno de nós, buracos na pele, vida sem eternidade. Eu respirar é a força. Sinto falta de Deus ao respirar. Respirar é uma fala na minha fala. Prolonga o amor em respirar. Sem forças, respirar é eterno na beira das minhas lágrimas. Deus é que me alivia de ser eu. Essa sensibilidade vive mais quando respiro. Eu acendo-me no respirar. Confesso ao respirar que respiro a sofrer. Eu me apago em escuridão. Foi aí que dei valor à minha luz ao superar eu mesma na invisibilidade. A alma esfria, a alegria agradece. O luto sem coragem de sofrer não é luto, é a saudade do que devia existir. Tenho vocação para a vida que tenho em mim. Vida, morte se misturam como um corpo eterno, onde não existe ser: é apenas um corpo que não é vazio pela falta de mim. Vida e morte são violentas até no amor que sinto.