Blog da Liz de Sá Cavalcante

O pensar da ilusão

A ilusão pensa com o meu amor, que, mesmo distantes, se uniram, como se toda ilusão fosse o mar; e o amor, o cessar do mar. O infinito do mar é o pensar da ilusão. Penso na ilusão, como se pensasse em mim. A verdade da alma é o ser, mas a verdade do ser não é a alma. Há muito a se fazer pela falta de alma. Fazer algo é não viver. Fazer do ser sua falta de alma é lhe dar minha alma. O tempo somos nós, em busca de lembrar de nós juntas, ou ao menos de uma de nós. O pensar da ilusão é como o nascer do sol invadindo o tempo. O tempo é um pensar aflito. Nunca pergunto como está o tempo, mas exigindo que ele me realize. O tempo se transforma em realização. O tempo, lugar vazio, que não é vazio. Pensar é ilusão. Pertenço à realidade do pensar, mas não será a mesma realidade da ilusão? Ilusão não é amor. O tempo não é amor. Nada é amor, apenas o amor é amor. Será que o que não penso existe ou será que eu faço o meu pensamento não existir? Escrevo pelo pensar da ilusão, isento do consciente e do inconsciente. O pensar da ilusão é a falta de carícias na alma. E se a alma for ilusão? De que ilusão é feita a alma? Da ilusão deste sempre inconcluso, por isso definido. O pensar da ilusão é o amor da alma. O pensar da ilusão cessa o amanhecer como nada da ilusão, onde a luz sobrevive a si mesma. Onde há luz, há esperança de que o escurecer seja apenas o pensar da ilusão; e o meu ser, luz da luz, vida. Eu dei minha alma a mim, como certeza de que a ilusão não existe. Sonhar não é ilusão, sou eu, meu respirar, meu pensamento, minha forma de amar. Minha forma de conseguir viver.