Blog da Liz de Sá Cavalcante

Refluxo da alma

Isolo-me da alma, da morte, de mim num refluxo de alma. Olhos que furam o mar e o tornam oceano. Rir é oceano. Sem água, sem as rochas. O mar não existe. Existe vida após o mar. Sofrer não é triste. É real, é ser. Ver me vê e sustenta meu ar por dentro no imaginário do corpo. Fui feliz no respirar eternamente num sopro de poesia de desinteresse. O sonho é real: amor. A morte me agradece, sou o sol da morte a querer escrever o que não sinto. O que não sinto é vida, é amor? Sufocada como se eu fosse nascer de mim. Não posso garantir não sofrer de amor. Esta é minha presença engolfada pelo amor. Resolvi amar. Decidi não decidir. A morte: prolongamento do dia na noite. Morte: respeito que tenho por mim, pelo que sinto mais do que eu. Sofrer nervos de aço. Reduzir a alma, ao que ela é morte. Me disfarço na alma sendo eu. A experiência de morrer pode não acabar comigo, mas, mesmo morta, não é o fim, é o conforto de sofrer, sonhando ser escutada ao menos no fim. O fim existe ou é apenas uma distância? Apenas a morte me aproxima de mim como eternidade. Eternidade se vê de perto ou de longe. Onde sempre há interior. De dentro, ficam as melhores vidas. A resposta da morte é cindir minha dor na minha lucidez.