É o ser. O ser é quase nada no pertencer. Não vou viver o que não existe. Existir não tem interior mesmo a chorar. O vento corre do sol, abriga flores esvoaçantes. É pelo sentir que encontro caminhos estalando a alma até o desaparecer do vento. Ser amor. Não existe luz no ver. O passado é o bastardo esquecimento. Escorrega das mãos e vem o esquecer-me. Falar de lembrança aquece a minha alma de morte. Construir impede de ser feliz? O que construiu só foi minha consciência, mas ela não se sente só. Por isso, sonha como eu. A fala abandonada pela vida. O vento escorre no fim da fala. A alma escapa pelo amor, cria sua própria alma. A ausência e a presença me impedem de ser, pois são permanência da minha inexistência. Ficou travada na dor. Não se pode não viver a inexistência. Mas é apenas isso que sinto. Sentir é amor, sentimento é falta, ausência, perda, imaginação. Nada se imagina, nem as flores. A imaginação é vulnerável para escapar da dor. Dor é certeza de que não vou morrer agora. Nesse momento, o momento é o meu ver: ver o interior. O céu, o mar, a vida são irrealidades, mas minha dor é mais real do que tudo, pois sonho com ela também. Escrever arranca-me de mim. Esqueço-me de mim no amor. O amor sente falta de mim quando eu o amo? Não sei, sei que nada existe. Tudo nasce do amor, mas, também, de sentir, falar, ouvir. A convivência não morre com a morte. É eterna.
