Blog da Liz de Sá Cavalcante

Conquista

Entre apelos desesperados, conquistas invisíveis, amor por ser encontrada por mim, a saudade não se encontra, cativa-se. É amor puro ter saudade do que está junto. Imagine o que está longe, intocável, que apenas a poesia aproxima, representa a divindade de Deus. Reconheço o irreconhecível pelo seu silêncio. Decepcionar a decepção de um anjo que não sente o prazer de morrer, alheio ao céu, como ferida da alma a deixar o céu mais lindo, mais humano. Tornei-me o que sou capaz de ser. Preciso do silêncio de Deus para ter vida. Mas Deus pode me dar o que não existe em mim? Mesmo que ninguém saiba? Saber é a distância da morte no saber da morte, que não me faz morrer. Dependo do sonho como se fosse um saber. A luz balança o olhar. O olhar se derrama num estupor de adeus. Crianças condenadas a crescer, não por elas, para agradar. Quando cresci, esperei ver se tinha mesmo crescido como o ar de Deus. O ar anula a vida, não se parece com a vida com o respirar. O respirar do respirar é comunicar o tempo, O que foi por mim? O céu aparecer por mim é o que foi por mim.