Blog da Liz de Sá Cavalcante

Fumaça

É inseparável o falar do silêncio. As mãos, o silêncio na fala. Se o silêncio surtar, existirá apenas a voz. Será a única vida. Pensar no silêncio é céu. A existência é um fim: tem vida, amor. Somos parecidos até no silêncio. O silêncio é não lembrar de entorpecer a alma, como um raio de sol. Nada se vive sem a falta de alguém. Nunca me esqueço que sou poesia e o que me falta fica sendo eu. O desespero é amar o mar, o céu, a vida. Corpo, silêncio se torna amor. O silêncio é uma casa sem paredes. O céu a eclodir o nada. Cortinas se abrem pela alma. Liberdade é se fechar em ser livre. O corpo pensa. O impensável é a alma. Alma é fumaça dentro de mim, sem o mar. A solidão é abstinência do corpo. Meu ser une luzes, une imensidão sem o céu. Obscurecer do silêncio é a alma na fadiga do nada. É a náusea dos olhos, de ver o silêncio na piedade da dor. A dor é o que existe. Não captar a inexistência do corpo no sempre de mim é matar o corpo. Eu sei quem é meu corpo, é o que eu queria ser. Não adianta ser, tudo é o que é.