Blog da Liz de Sá Cavalcante

Me abraço

Empurro o abismo para a morte. Consciência nunca se perde, tem alma na consciência. Não sou da consciência. Ela se fez em mim, se tornou minha na poesia. Não controlo o pensar em algo vivo. Amo dar vida às coisas. Sorrir como as coisas, como a natureza ser mais vida que a vida. Cortar-me de alegria. O exterior das flores é a morte. Abraços se abraçam sem mim. Me abraço. É inútil não amar. Viver da alma é a falta do outro, é viver o outro. Viver nunca foi vida. Vida é morrer. Onde colocar Deus se não consigo viver? O que é Deus no não viver? Deus não é um sonho. Convivo com isso nos meus sonhos. Me resignar, sou só.