A aparência da ausência é o nada. Personifica a ausência na alma do adeus. Seguro minhas mãos, transcendendo no respirar. Respirar é adeus, não me torna um ser. Mesmo morta, me torna o que sou no amor. O medo é ter certeza de que a esperança é medo também. Um medo que desnuda a alma e o corpo reage. Fica a pele. Não há mais vazio. Há a contemplação em pele e eu abençoando a pele com meu amor, até sofrer por amor. A minha pele é a razão do amor de Deus. Sinto-me pela minha pele. Percebo a grandeza do amor e sou feliz, mesmo na dor. O respirar da dor me contém, me faz feliz no mesmo ar, na mesma vida. E o medo será amor? O corpo se conhece pelo que eu sou. Sou o que o meu corpo quer que eu seja. Isto é solidão. Dentro do sol, o nada é o céu. Estou dentro de um sol só na minha luz. O amor é incorpóreo. Entro dentro de tudo para ter meu corpo, mas ainda tenho a dignidade de ser só. Sou eu voltando à realidade, me permitindo ser, ao menos, o que o real me dá. Me permitir é morrer. A sombra da morte é o amanhecer.
