Blog da Liz de Sá Cavalcante

O bem

Não preciso saber o dia, preciso saber como está o amor hoje sendo meu. Saudade é demência do tempo. Converso com a alma como se tirasse o meu coração e eu desse o coração à alma, sem retirar pedaços. Fica apenas a inteireza do vazio. O vazio vigia estrelas, sente as minhas mãos fascinar a morte tão de perto que percebi: não sou nada, como posso morrer? Minhas mãos me conquistam antes da poesia, antes da luz, mãos que tudo fazem, mesmo na escuridão eterna. Mãos não buscam luz, querem acalmar os mortos e aparecer como se convivesse com os mortos. Conviver é confiança. Falar pode me retornar ao nada, ou ser ouvida até no céu, onde estiver minha fala me encontra pelas minhas mãos unidas. Falamos de amor, eternidade. Falar é mais do que amanhecer, é amanhecer só até ser escutada, mesmo que não exista outro dia. Me sinto eterna quando falo. Minhas mãos falam mais, rompem o amor nas artérias da alma, da morte. Sempre há como ser amada na morte ou na vida. Por isso, sou feliz.