Blog da Liz de Sá Cavalcante

Recolhimento

A presença da morte é trancada, aberta sem amor, para ser ainda mais de mim. eu existo? Sei do recolher-se da vida, em vida, num abraço reparando o que falta. Morrer, achar algo de mim. Intervir no que amo. Morte. Morte simbólica. Sou inimiga do que não amo. Amor é privilégio. Sem a morte não amaria. Convalescente, existo como se não existisse morte. O não existir não é um pedaço, é sem pedaços. Existe como falta de luto dentro da minha morte. Me vi por dentro, como borboleta sem asas no tentar sem céu, esperança. Será essa sem esperança o nascer de Deus, de nós, do fim? Eu tenho apenas a impressão de que vazio é medo. Preciso falar eternamente a desafinar a dor. Foi maravilhosa essa dor, como se o tormento tornasse o amor perfeito feliz, me fez morrer. Morrer, tomara morrer falando qualquer coisa para me sentir viva na morte, esperando nascer como todos nascem, mas enterneço, deixo-me nas minhas mãos. Morri, o céu parece novo e o meu esquecer sou eu.