Blog da Liz de Sá Cavalcante

Amor

Secar o ar, sentir-me minha. O céu é mais essencial que Deus. É amor. O amor é o olhar de Deus. Nada sem o olhar é amor. Bordar os olhos com flores. Sentir o aroma do nada. Reviver sem deixar de ser eu. Não lembro de ser eu sendo eu. É eu não caber na minha memória, na explosão do vento. Fugir do vento não é medo, é amor. Sonhos reais desfazem a vida e se alimentam de alma. A alma reza morrendo num sossegar do destino. Traz de volta a vida. É uma oportunidade de aprender com o céu e o céu comigo, juntos na busca de Deus. Assim me conformo de não ter silêncio, de ter apenas palavras para oferecer. Isso é amor. Amor se explica em ser pura ausência, na luz que se esconde no sol sem neblina, nuvem, apenas o relâmpago de ser. Em nenhum momento deixei de ser eu para ti, amor. É tão gratificante sentir sua solidão. É como abrir os olhos pela primeira vez e viver. Tudo é sublime. Solidão infinita dos abraços, onde a alma desaconchega de mim. Eu rumo à realidade. Encontrei a alma de uma outra forma, em Deus.