Amo o silêncio quando me toca, quando não é nada. Quando me sinto tocada, a vida acontece. Nada se lembra do silêncio, eu lembro, mesmo se ele deixar de ser silêncio, de ser alma. A falta é falta de silêncio do ar do silêncio. Mesmo que ele não me toque, lembro dele me tocando. Nada me faz tão feliz quanto ouvir o meu silêncio e me doar em voz. O fim do silêncio boiando na voz para me acostumar a ser só, como uma luz que não se apaga, no íntimo da ausência, na vida perdoando o corpo, voltando a ser corpo na falta do ser.
