A morte é uma atrocidade, pois ela não me separa de mim, me une. O sabor da lágrima é saborear a vida, com o que desarma o meu amor de mim. Sem o amor, o olhar existe para o fim. Meu fim salvou meu amor. Nada refaz o amor, apenas o amor. Tudo se perde como uma lembrança da vida. Segurar-me na alma é não precisar de mãos para me esquecer. Mas não esqueço o sol, a vida. Me ver de olhos fechados. Não fecho os olhos para a avida, encaro a vida sobre meus olhos e, cada vez mais abertos, amam a vida em sua dureza. O vento me esvazia. O nada me preenche como um sol a chorar. Acredito mais em mim do que no meu destino tão distante que nada vai embora, nem ao morrer. A distância é aquilo que fica sem a falta que me faz ter saudade do que não conheço. Como saber o que é saudade? Basta sair do abismo da vida, ser feliz na saudade: ela sou eu. Há tanto a morrer sem sair do abismo, e o que me resta é luz.
