Blog da Liz de Sá Cavalcante

O erro da existência

O erro da inexistência na falta que faz morrer. É o nascer da flor. Liberto a inexistência do casulo do céu. Evacuar o céu é abandonar o céu. Revidar a morte com a morte e descrever o céu para Deus em nome de Deus. Me importo em me esquecer em frágil morte, para pensar em um adeus na mágoa de Deus pelo fim incontestável nos olhos cansados de Deus, esmagado pelo amor divino. O mundo é perigoso até para Deus. Tudo sufoca, amolece e se abre, como se eu fosse sair de mim, por me querer. A inexistência é o que não tem a intuição de errar, chorar e separar o que fica da minha inexistência para ganhar estrelas, mas não tive amor. Esta é minha resiliência, escravizar a solidão é não viver para mim. O que vivo na solidão fica em mim sem precisar durar. Repudiar o que não dura é ridicularizar a minha tristeza. Não me faz feliz: tudo é triste, é como se soubesse que nada se alimentava da alma. Por isso sorrio esperando o tempo passar.