É tão inconveniente, um crime sofrer. Agradecer o nada por não me isolar, por me amar, compreender meu ser pelo meu nada. Compreendo apenas minha morte. Remo contra o mar. O olhar olha o sofrer, nada vê no sofrer. Eu desapareci em mim apenas para ouvirem a minha voz. A morte vencer Deus e eu sempre a desaparecer sem poder desaparecer com o nada no que não escutam. Coincidência, a voz me salva de falar. O silêncio é um adeus. Nada permanece no adeus, se transforma como um corpo decepado no nada. Poeiras do ar querem me ver. Não preciso de ar ao escrever, preciso de mim. A tristeza sou eu a me preservar com os olhos no adeus. O que me define onde estou sendo eu? Na morte, digerir o vento é como encontrar o sol. Não há caminhos. Há Deus. Sofrer de luz é iluminar. Nada vem da vida. Confio no acariciar do vento, na poesia. Não confio na solidão. Chover amor, implorar o sofrer. A vida julga a dor, o pensar, o amor. O ar sem a força do vento é tempestade do céu nas agruras das estrelas.
