O que Deus leva para o túmulo é seu amor enterrado em carne viva. O céu não pode falar sussurrando Deus. Nada desaparece da fala, ela não sou eu. Eu sou todas as maneiras que há de amar. Nego a alma com amor. Tudo se vai. Por isso está perto. Mais perto do que o amanhecer e aí o sono vem revivendo-me em um sonho de Sol. Para que me encarcerar no céu? Tudo me prende em dor. Sofro por tudo, até pelo céu. E que meu sofrer pelo céu seja infinito. Que minha náusea abrace o céu mais do que eu. Que ela seja eu me abraçando. A minha separação de mim é meu corpo amar minha alma. Ambos se amam, desbotando o ar no meu respirar, sentindo o gosto da palidez dos instantes. Metonímia é um único instante para toda a vida. Se substância é tão real, o que é real em morrer mergulhando no fundo do adeus, onde nada se foi. Adeus é permanência eterna do futuro em mim. O ser é ausência do desaparecer do ser. O desaparecer mudou a minha vida como um Sol, com o destino a lhe iluminar. Ver com olhos de Sol, sem querer. Um destino é ultrapassar a realidade. O corpo do amor tão fiel quanto reviver meu ser noutro passado, que ainda vou viver. O céu, passado de Deus, não tem realidade. A minha monotonia é viver.
