O nada do chão é o corpo que vibra, que aquece a morte. O flutuar é um corpo que desestabiliza o ser, gruda nele. E aí pensei ser apenas um corpo. A pele é apenas a desproteção do corpo. Sem proteção, a alma se dá ao corpo numa lágrima caída. Deito na alma. Descanso na minha voz como uma liberdade além da voz. O significar é a presença que não precisa presença para morrer. Parar a ausência é não ter presença. A vida não tem presença, nem substitui a presença, mas me anulou. A prontidão de Deus comigo ausente é detalhe. Oferecer o que eu consigo dar ao infinito é ser mais que o infinito. O infinito é uma flor despedaçada dentro do esquecer de amor a mim. Ser nada pode. O meu corpo é o princípio de mim. Eu sou eu. Se expulsar o meu corpo da poesia, se eu for tão fundo na minha impercepção, é porque sou perfeita na poesia. O morrer priva-se das minhas poesias, mas o vácuo de amor é libertado na poesia que transgride sendo eu. Amor pelas vísceras da pele numa alma imperfeita. Não funcionar como alma é plenitude na imperfeição. Dando o meu ser, nunca mais o terei de volta, mas a facilidade como me dei, com consciência de amor. Ainda não é me dar. Me dar é ter a ausência do outro em mim. Como defender-me se estou indefesa da morte, da vida? Meu amor é a coagulação da vida. A morte, suspense de viver, sem mistério. A renúncia é o meu corpo no meu corpo. Amanhã serei apenas renúncia da minha renúncia. A náusea é a memória de que me tornei renúncia.
