Pele que se solta pregando-se em si. O sentir é falta de pele na pele. A pele existe na minha morte. A inexistência da pele é a vida. O corpo é um obstáculo na pele. A pele, diluída na saudade do nada, na sinceridade de Deus. Deus é a pele de todas as peles. Me cobre com o infinito. Peles costuram a vida com seu sangue, sua eternidade. Costurar é remendar minha inexistência. E a vida se descostura no costurar eterno. Devo à minha alma a essência interior: o não morrer. A morte é um desafogar que não existe. É inevitável não perceber que todo lugar é cheio de alma. É uma purificação que me batiza de vida, que esconde o que é apenas pretexto: ter alma.
