Meus olhos nos olhos do nada me fazem viver como uma chuva de sol. O sol e os olhos do nada a definir a vida como querem, não como a vida tem de ser. O sofrer é o tempo de não ver a mim mesma. Ver a mim mesma nos olhos da morte e me identificar com perdas que penso serem da minha morte. Queria parar de sonhar que não existo. Por isso, meu passado não existe. O próprio sonho acabou com o sonho, como se a poeira fosse vento. Apenas a morte pode abençoar minha alma na retidão de sofrer, como uma voz inexistente que se escuta além da alma, no fundo do poço de um espírito sem palavras. O silêncio murmura o nada e, assim, na escuridão, vi a morte da morte em mim. E me senti alguém para mim, não era eu, era apenas morte.
