Blog da Liz de Sá Cavalcante

Dividindo-me em sonhos

O que separa o céu do mundo são os sonhos e a vida, sou eu me dividindo em sonhos, como um deserto com asas para voar. Nunca sou o mesmo sonho. Nuvens oscilam em céu e ser do céu. O céu é sonho ou real? Depende de como o sentimos. O céu escorrega em mim, não me deixa flutuar, mas me deu um novo corpo, uma nova vida, um novo amor: Jesus. Não penso na angústia. Ela me sente e, quando a sinto, eu me deparo com o real. A saudade derrete o pensar e eu ainda penso, como água, ar, fogo, como eu sendo eu sem iniciativa de ser. Sou porque a vida me fez assim: sem a ruptura da falta. A falta é cura. O sonho necessita ser a falta que faz amar o adormecido. Sem lembrar que adormeci no adormecido de mim, como uma poesia, que é o modo de me sentir viva. Sentir-me viva não é o mesmo que viver. Escrevendo, percebo que não há fundo em mim, nem há raso em mim. Tudo em mim, é inalcançável, mas não estou ausente. Estou feliz na minha presença, mesmo havendo outros mundos melhores. Há tantos mundos desconhecidos, como um novo amor descoberto nas sombras da lembrança. Fuga é saudade do nada. O organismo da vida não aceita o ser como seu organismo. Negar o meu organismo dentro de um céu sedento de amor, de mim. O estremecer sem o vento é o nada em poesia. Não quero acalento, mas sim viver no desalento da alma, sendo alma da alma.