Ver pela força do insustentável é ver raro, puro, pela força divina que me realiza, insustentavelmente. Morri, sustentada pelas almas que são neuroses do espírito, que o mantêm vivo. A falta é a lucidez. O vazio é a entrega da alma no ser. A verdade é o que me faz real. Sendo essa realidade nua, concreta ou ilusão, é real como eu entrar na minha sombra. E o Sol, inencontrável, satisfaz-se na minha sombra e se encontra na sua própria luz. Luz que anoitece da própria sombra. A alma me sufoca, comigo solta como o vento. A brisa sente o vento como o que se foi. O que sinto é apenas o vento sacudindo as esperanças. O Sol tira a esperança do vento e, por isso, tudo é depois. Há pensamento que é um milagre de Deus. O pensar é o que encontro na vida. O pensar sem vida é o céu. A liberdade é sem liberdade. O silêncio atraindo a alma e o céu a se reerguer. O céu, desespero da alma. A vida se dá a si mesma. O tempo da alma acaba com o tempo de Deus. Não me vou no tempo, mas sim no que fica: para me sentir desprotegida por mim, em uma alegria apenas minha. A alegria é o que não muda e se estabelece, mesmo nas sombras do pensamento, que fere mais que uma facada. O sonho é ferir a alma de amor e, assim, sentir o sonho. Não existe amor no próprio amor. Até a falta de despedida do ser é amor. Não existe amor maior que o abandono de mim. É como entrar no céu sem morrer.
