A intuição me deixa sem rumo. O nada me orienta. Eu não sou a sensação de Deus, mas sou o que foi Deus em uma única sensação de viver. O nada une o ser à lembrança, ao ser da lembrança, e o ser sem lembrança é o mesmo agir na espontaneidade do não ser, que refaz o tempo sem história de vida, apenas o reflexo do nada, no desfazer o Sol. Nada se compõe, tudo se prende ao nada. Nada é suficiente ao nada. Tudo é verdadeiro no tempo. Sem a falta do tempo, não há tempo. Nada se é no ser. A falta do ser é o pulmão da vida. Não sei explicar a falta de ser, porém sei explicar a minha falta. O adeus do nada simplifica a minha falta. Nada se vive no adeus, na morte, na inconsciência. O amor é a súplica de não morrer. Até o amor morre. A eternidade morre. O que sente o silêncio, reveste o tempo. O possível é a morte, no impossível de ser. Sentir é escapar pela morte, sem a lembrança de morrer, que é a aparição do nada. O não aparecer é a lembrança da vida. As carícias da noite, no dia a dormir, chuva no vento e poesia em Sol. Atordoada, não preciso amanhecer. Assim é como imaginar o nada tomando conta do Universo inteiro, mas sendo órfã do Universo, mãe de mim, onde a dor pode vir sem o calvário de existir para o que não existe. Por causa do amor, existir e vida são a mesma coisa, no mesmo respirar, na mesma sintonia do meu ser.
