Quem sabe se eu recolher meu amor do mundo, seja feliz ou, ao menos, lembre de mim, pelo que deixei de amar. Sempre posso recolher o nada, no que passou, sem eu ter sido ao menos o que passou. Os passos da vida são apagados pelas minhas cinzas. Minhas cinzas voam pela minha liberdade, talvez isto seja morrer: fazer das minhas cinzas as asas da minha morte, onde posso estar em qualquer lugar, se minhas cinzas estiverem em mim, impregnadas na alma. Vim ao mundo, para tornar as minhas cinzas a minha alma, essa é minha eternidade, meu amor! Não tenho forças nem para morrer, mas, quando vejo minhas cinzas, percebo que nem tudo acabou, tenho a alma para viver, isso é tudo, mas não é o fim. O que acabou comigo foi o abandono, nunca a morte. Que a morte se liberte das minhas cinzas, elas são inúteis. Há mais no céu do que estrelas, do que morte. Quem sabe exista o amanhã?
