Medindo minha morte, no meu nascer do morrer: é o meu respirar. O olhar é para toda vida, para toda morte. A solidão não faz parte da vida, faz parte da morte. O ser não pode ser só. Não existe solidão no ser: existe a falta sem o ser. A falta de ser eu é a eternidade. Um sopro de luz escurece a eternidade. E o silêncio se aproxima da realidade. A tristeza são palavras. A palavra distante e escutada como proximidade sem adeus. O adeus sobrevive ao tempo, a esse nós sem ninguém. A sombra da ausência é meu único sol. A escuridão é feliz na falta de ver a escuridão. Os passos da morte são meus olhos em busca de mim: busca inútil. Os olhos são a lembrança do nada a se tornar eternidade do fim. O que está derramado vive como passarinho, na falta de mim.
