A vida não tem a certeza do ser. O sentir foi embora pelo meu amor, que ficou sendo o sentir. O coração se perde sem dor em sofrer. A inteligência se mede pelo tamanho do abraço. A vida não tem inteligência, não sabe abraçar. Deixa a lembrança de viver ser meu único pensamento, assim como o céu não tem lembranças, tem esperança. Existir é a pior solidão. Não há solidão sem a vida, mas também não há companhia. A plenitude é a falta de forças. A plenitude é a preocupação dos fracos. Nada é pleno na plenitude. A vida em nada influi no ser, na morte. Minha dor ama mais do que eu. Ou eu a amo como se fosse eu? O que pode ser eu em mim? Eu em mim, ou eu sem mim, é o mesmo eu a existir. A vida era para saber mais do que o amor? É vital que o irreal exista, como o ser que não posso ser. Minha dor cessa amando os pedaços que perdi na vida, como se nada mais estivesse perdido. O existir se encontrou no perdido. O olhar vê a paisagem na palavra. A palavra é o olhar que falta para sentir a vida.
