Blog da Liz de Sá Cavalcante

Sem relação com o nada

Escrever é muito mais do que ser: é não ser nada, e mesmo assim sonhar, amar, escrever, até que a realidade se mostre para mim! Mostre-se como uma escrita da minha escrita. Quero mais da escrita: quero que ela defina o infinito pelo meu corpo de palavras. Mas, no infinito, não existem palavras nem definições, apenas o som do amor a refletir no nada, sem palavras. Nada está em nenhum amor, e mesmo assim é amor, onde vejo apenas amor. Não procure amor no amor, deixa fluir até nos arrebentarmos juntas, já sem corpo. Somos agora apenas dor que bem podia ser nossos corpos a sofrer. O amanhecer recupera nossos corpos ou serão nossos corpos que recuperam o amanhecer, que não desaparece com a vida, mistura-se com a vida em fragmentos de luz? A vida não é frágil, falta-lhe luz mesmo com a luz do sol.