Sem escrever, a vida não existe, até o nada não é o mesmo pela inexistência da vida. O absoluto é apenas ficar nessa saudade, que preenche a falta de mim com a falta de mim. A esperança é um adeus de eternidade. O adeus é a busca da eternidade, distante da eternidade, onde buscar é ficar mais distante do que o sol e perto do fim do sol. O fim do amanhecer é sem ausências. O amanhecer é a ausência do meu ser, apenas o sono recupera minha presença. A emoção de escrever e do caderno de ser escrito é a mesma. Consumindo-me em palavras, somente as sinto quando são escritas em mim, por mim. Nada é escrever, escrever não existe, sente-se. O existir do escrever é a perda de mim, não sei mais se escrevo pela escrita ou por mim. Sei que escrevo da mesma forma que vivo. Pela morte, pelo silêncio de morrer, parti, como se assim meus passos fossem o céu.
